top of page

Ano Novo

  • 1 de jan. de 2018
  • 4 min de leitura

O Ano Novo é uma celebração universal, festejada nas mais variadas formas em várias culturas e tradições. É a data mais significativa do calendário, uma reencenação da criação do mundo, uma regeneração ritualística. O tempo é abolido e recomeçado, assim como foi no início da criação. A renovação individual acompanha a do ano, permitindo um novo começo, virando a página, um prenúncio de que aquilo que começa bem, acaba bem. Para garantir o sucesso e a abundância, antigamente eram feitos rituais e invocações às divindades, purificando-se e expulsando o mal, pois este momento era propício às interferências das forças negativas e às actuações de seres malignos e de fantasmas.

Segundo o historiador e escritor Mircea Eliade, os rituais essenciais para marcar o fim de um ciclo e o início de um novo, eram marcados por purificações, purgações, confissão de erros, expulsão de demónios e exorcismo das forças negativas. Os fogos dos templos e das casas eram apagados, para serem novamente acesos em rituais. Eram feitas procissões com máscaras e oferendas para os ancestrais, cujos espíritos eram recebidos, alimentados, festejados e depois acompanhados de volta a suas moradas nos cemitérios, lagos ou montanhas. Combates entre forças opostas - o bem e o mal, o velho e o novo - eram encenados. Os festejos eram barulhentos, com sinos, tambores e fogos de artifícios, para afastar os resíduos do ano que passou e ritos de fertilidade eram realizados para celebrar as promessas do ano que começava.


Dependendo do país, o início do Ano Novo pode variar, sendo determinado pelo calendário usado (lunar ou solar), pela posição de certas constelações, pelas mudanças das estações (equinócios ou solstícios), por certos acontecimentos naturais cíclicos (enchentes dos rios, início das chuvas ou das colheitas) ou pelas épocas propícias para a caça ou a pesca.


No antigo Egito, o início do ano era marcado pelas inundações do Rio Nilo, enquanto que, na Babilônia, a festa da colheita era o momento da transição entre o velho e o novo ano. Na Grécia e na Roma antiga, as datas eram variáveis até 153 a.c., quando 10 de Janeiro foi declarado o começo do ano civil. Na China, a data era e ainda é móvel, em função da fase da Lua.


Na Europa antiga, o Ano Novo começava no equinócio da primavera, marcado pela entrada do Sol no signo de Áries, data mantida até hoje como o início do Ano Zodiacal. Com a adoção do calendário romano, a data foi transferida para 10 de Janeiro, dedicando-se este dia ao Deus Janus, cujo nome originou o do mês. Esse Deus era representado com dois rostos, um olhando para o passado e o outro para o futuro. Por isso, os romanos consideravam esse dia muito favorável para o acerto de contas, reavaliações pessoais - descartando o velho e projetando o novo - e para assumir novos planos, compromissos e relacionamentos.


Para os chineses, o Ano Novo começa com a primeira lua nova no signo de Aquário. Este dia é considerado o aniversário de todas as pessoas maiores de dezesseis anos e é celebrado com muita alegria e algazarra. Os festejos incluem procissões com sinos, címbalos, tambores e imagens de dragões - para afastar os demônios do azar e da infelicidade -, fogos de artifícios, reuniões familiares e rituais para os antepassados. Nas casas, queimam-se as velhas imagens das divindades protetoras dos lares substituindo-as por novas. Tiras de papel vermelho com encantamentos de boa sorte e proteção, são colocadas em todos os cantos. As pessoas tomam banho com folhas de laranjeira, vestem roupas e calçados novos e as casas são repintadas e enfeitadas com flores de pêssego, tangerinas e "kumquat" (mini-laranjas) para atrair a sorte. Todas as crianças recebem envelopes vermelhos com dinheiro e uma mensagem de boa sorte.


No Tibet, o Ano Novo começa no final do mês e as celebrações incluem um ritual para exorcizar as vibrações negativas do ano passado. Preparam-se imagens de massa de pão para atrair os espíritos maléficos. Durante sete dias, essas imagens são reverenciadas, depois são levadas para encruzilhadas e abandonadas. Apesar de estranho, esse ritual reconhece a existência das energias negativas acumuladas ao longo do ano e sua desintegração pela deterioração das imagens que as captaram.


No Japão, o Ano Novo começa na primeira lua nova de Janeiro, honrando as Sete Divindades da Boa Sorte -"Shichi Fukujin"- com um festival de três dias chamado San-ga-nichi. Antigamente, construía-se um "barco dos tesouros" (takarabune), que era lançado ao mar com as representações dos Deuses, sendo que cada pessoa guardava uma imagem desse barco embaixo do travesseiro para trazer sorte. Nas casas, era proibido varrer durante os três dias do festival e nos altares domésticos eram colocados bolos de arroz de formato esférico para o Sol e para a Lua.As pessoas se vestiam com roupas novas, visitavam seus familiares,trocavam presentes e depois iam para os templos deixar oferendas para os ancestrais e festejar em suas casas com comidas tradicionais à base de arroz.


Na Índia, o Ano Novo começa no quinto dia da lua crescente, no signo solar de Makara, correspondente ao signo ocidental de Capricórnio. Honram-se as divindades da abundância e da prosperidade com oferendas de comidas coloridas com açafrão e enfeitadas com flores amarelas. As pessoas vestem roupas amarelas e os chifres do gado são decorados com flores e pintados após os banhos de purificação nos rios sagrados, principalmente os Rios Jumna e Ganges.


Os antigos gregos celebravam, no início do ano, a deusa Hera - a padroeira dos casamentos -, com o Festival de Gamélia. Ofereciam-lhe figos cobertos de mel e guirlandas de ouro, invocando suas bênçãos durante os inúmeros casamentos feitos neste dia.


Na antiga Babilônia, festejava-se a deusa Nanshe com procissões de barcos. enfeitados de flores e repletos de oferendas, similares aos festejos atuais de Yemanjá no Brasil. Acendiam-se fogueiras e lamparinas, as famílias vestidas com roupas novas reuniam-se, trocavam presentes e festejavam com comidas tradicionais e vinho. Nos templos, havia cerimônias de purificação com fogo, oferendas e libações para as divindades e adivinhações sobre as perspectivas do próximo ano.

Na Roma antiga, comemorava-se a deusa Anna Perenna com o Festival Strenia, durante o qual trocavam-se presentes - chamados "strenea" - entre amigos e familiares. Neste dia, faziam-se também oferendas para a deusa Fortuna, invocando suas bênçãos de boa sorte e de prosperidade para todo o ano.


Fonte: “ O Anuário da Grande Mãe”, de Mirella Faur.


Comentários


Posts Em Destaque
Verifique em breve
Assim que novos posts forem publicados, você poderá vê-los aqui.
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
bottom of page